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A Speed que formou gerações
Tem bicicleta que vai além do produto. Que vira referência, apelido, memória afetiva de uma geração inteira. A Caloi 10 é uma dessas.
Antes da Caloi 10
Até 1972, as opções no mercado nacional eram boas para o que se propunham: a Barra Forte, a Barra Circular, a Berlineta, a Monareta. Resistentes, funcionais, feitas para durar. Mas todas sem marchas. Sem guidão rebaixado. Sem nenhuma pretensão esportiva.
Quem quisesse uma bike de performance tinha um único caminho: importar. E no Brasil dos anos 70, com mercado fechado e dólar caro, isso era conversa para pouquíssimos.
O ciclismo de estrada, como esporte acessível, simplesmente não existia por aqui.
1972: tudo muda
Naquele ano, a Caloi lançou a Caloi 10 Standart — e o nome já entregava a novidade: dez marchas. A primeira bicicleta com sistema de transmissão produzida e comercializada no Brasil.
O conjunto era impressionante para os padrões nacionais da época: aro clássico 27″, cubos Sunshine em alumínio, câmbios japoneses SunTour, freios Dia-Compe em alumínio, quadro em aço cromado e guidão rebaixado. Componentes de nível internacional, numa bike feita aqui, vendida aqui, ao alcance do brasileiro.
O ciclismo de estrada finalmente tinha uma referência nacional.
“Todas eram Caloi 10”
O impacto foi tão grande que aconteceu algo raro no mercado: a marca virou substantivo.
Assim como “Gilette” passou a significar qualquer aparelho de barbear, a Caloi 10 se tornou o nome não-oficial de qualquer bicicleta com marcha no país. Monark e Brandani lançaram suas próprias versões de 10 velocidades. Não adiantou. Na cabeça do brasileiro, bike esportiva tinha um nome só.
Na F1 e nos bilhetinhos de Natal
Em 1976, a Caloi patrocinou o GP Brasil de Fórmula 1, em Interlagos. Niki Lauda, Emerson Fittipaldi e outros pilotos deram uma volta na pista pedalando a Caloi 10 — e o evento foi repetido em 1977.
Na mesma época, uma campanha de Natal entrou para a história da propaganda brasileira. A frase era simples: “Não esqueça a minha Caloi.” Criada pelo publicitário J. Cocco, a campanha incentivava as crianças a espalhar bilhetinhos pela casa — na mesa do jantar, no bolso do paletó do pai, na porta da geladeira — pedindo a bike como presente. O Cebolinha era o garoto-propaganda. Funcionou.
O legado
A Caloi 10 ficou em produção por 25 anos: de 1972 a 1997. Ao longo desse tempo, vieram versões especiais — a Sportíssima, a Titanium com grupo Campagnolo, a Sprint, a Concorde, a Triathlon, a Eddy Merckx. Cada uma marcando um capítulo diferente do ciclismo nacional.
Nos anos 90, a Caloi 12 assumiu o posto. Em 2005, o modelo foi relançado com quadro em alumínio e 12 velocidades. Em 2018, nos 120 anos da marca, uma edição comemorativa de apenas 120 unidades esgotou antes mesmo do lançamento oficial.
Cada aro guarda uma história
A Caloi 10 não foi só uma bicicleta. Foi a primeira vez que milhões de brasileiros sentiram o que é pedalar de verdade — câmbios, velocidade, postura esportiva, a sensação de que a estrada tem mais a oferecer do que parece.
O road que conhecemos hoje tem raízes naquela estrada dos anos 70.


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